quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Penhor


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Penhor é algo que é oferecido como garantia. Ou seja, um tipo de fiança para garantir a devolução do que foi emprestado. O penhor serve como troca de valores, como resgate do que foi emprestado.

É interessante notar que através de todos os tempos, o penhor foi usado para esse fim, nas escrituras sagradas não é diferente. Podemos ver que era uma prática comum entre o povo Hebreu. De acordo com os textos de (Gn 38:17-20) vemos um discurso, e o que podemos entender é que Judá para pegar emprestado um cabrito teve que deixar um selo,um lençol e um cajado como garantia. O penhor é algo que se deixa como garantia, e deveria ser restituído (Êx 22:26). Era algo que deveria ser devolvido pelo próprio indivíduo, ou seja, deveria ser voluntário (Dt 24:11). O penhor seria usado como forma de justiça perante o Senhor Deus. (Dt 24:13) O penhor era um compromisso entre as pessoas (Jó 17:13) era algo que envolvia a própria vida do individuo pois a não restituição era passiva de morte(Ez33:15).

O que podemos tirar como lição para as nossas vidas? No antigo testamento o penhor era usado para provar que o individuo tinha uma dívida. Era uma garantia de que a pessoa que emprestara deveria ser restituída. É interessante notar que para evitar transtornos e prejuízos, Deus propôs algumas regras que deveria ser obedecida por todo o povo israelita. Podemos ver alguns exemplos no Antigo Testamento. O direito dos estrangeiros e da viúva não deveriam ser violados (Dt 24:17) quando fosse emprestado alguma coisa não deveriam entrar na casa de quem emprestara para tirar a força, e se fosse um homem pobre não deveria se deitar com seu penhor(Dt 24:10-12). Essas regras foram feitas para não ser praticada a injustiça entre os homens. Apesar disso era constante à prática de injustiça entre o povo, como vemos em Jó cap 22:6 e 24:9 que sem piedade eram despojadas as roupas dos pobres e os órfãos eram arrancados do peito para se tomar o penhor.

Como podemos ver, o penhor era algo que representava a justiça, era algo em que as pessoas poderiam depositar sua confiança, e a certeza de que seriam restituídas. Podemos afirmar que antigo testamento as pessoas neste conceito chamado penhor. Como já falamos, o penhor era a certeza da restituição por algo que tinha sido tomado emprestado. Mas como os seres humanos são depravados, desonestos, egoístas, prepotentes e gostam de tirar proveito de tudo, manchou o que seria um ato de honestidade, um ato de confiança entre as pessoas e tornou o penhor uma forma  de ganhar dinheiro e tirar vantagens sobre outras pessoas. veja a declaração do profeta Habacuque : Ai daquele que acumula o que não é seu, e daquele que a si mesmo se carrega de penhores. (Habacuque 2:6).

No novo testamento a palavra penhor foi usada pelo apostolo Paulo várias vezes. Esta mesma raça humana que busca a justiça com suas próprias mãos esqueceram-se do real sentido da lei de Deus, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mc 12:30-31).

 Quando o homem pecou algo deveria ser feito, o homem transgrediu a lei de Deus e pecou e por isso era passivo de morte (Rm 6:23). O homem pecou teria que morrer, algo deveria ser feito para restaurar o que foi pervertido.

Mas o que fazer para Salvar a raça caída? A bíblia nos revela que o plano da salvação foi criado desde a fundação do mundo e revelado em Jesus (I Pedro 1.20)

O que podemos ver é que Jesus se tornou “moeda de troca”. Ele se ofereceu em favor dos seres humanos. Tínhamos uma dívida que não podíamos pagar por causa alto preço. Jesus se entregou para quitar esta divida. Foi uma troca, a morte que merecíamos foi transferida para Ele, e a vida que pertencia a Ele deu de graça para nós. E através de seu sacrifício e inefável amor, recebemos a herança que é servi-lo (Col 3:24) e a vida eterna para aqueles que os buscam (João3:15). Cristo nos selou, colocou o seu espírito como garantia em nosso coração (II Co 1:22). Dando assim a certeza da restituição quando foi pregado por nós (II 1:19). 
por: Carlos André, bacharelando em teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

eclair cruz

Nota de falecimento

Dia 17/08/2010, aos 68 anos, faleceu em Hortolândia o amigo Eclair Cruz, vítima de câncer. Nascido em Palmeira das Missões RS, concluiu seus estudos médios no IACS, e a seguir cursou o teológico no IAE SP. Em junho de 1968 o Pr. Feyerabend saiu do quarteto Arautos do Rei para dedicar-se ao evangelismo público, assim ele foi convidado para substituí-lo na comemoração dos 25 anos da Voz da Profecia. Dessa maneira foi formada a equipe que mais marcou os programas da VP e que mais deixou saudades harmônicas nos amantes da arte dos quartetos, a formação do Pensando em Ti: Eclair Cruz, Malton Braff, Enis Rockel e Roberto Conrad. Só pra se ter uma idéia, eles gravaram de 68 à 71 240 músicas, com uma qualidade musical de fazer inveja a qualquer grupo na era digital, e tudo isto num único microfone e com limitadíssimos recursos técnicos.
Eclair não chegou a concluir os estudos teológicos. Mas seu ministério foi sem igual. Além de marcar como o 1 tenor do principal grupo vocal brasileiro de quartetos entre todas as denominações evangélicas, era sensível escutá-lo quando solava. Curioso: não gostava de cantar em quartetos! Durante décadas sua voz suave e seu fawcet tão tranquilamente colocado foram uma referência inquestionável entre os tenores. Ele me disse várias vezes que tinha péssima memória musical: nos ensaios, primeiro passavam as outras vozes, para depois ele “pegar”. Incrível: foi a pessoa que mais gravou em toda a história da VP. Para muitos que não sabem, ele era o responsável por todas as gravações dos programas radiofônicos da Voz, tanto para o Brasil quanto para os demais países de língua portuguesa. Por isto, chegou a passar várias vezes até 22 horas no estúdio, dormindo no chão ao lado dos aparelhos, para que os programas ficassem prontos e fossem enviados às emissoras. E seu jeito de cantar era inconfundível: sempre muito discreto, sorridente, mas objetivo em sua mensagem. Só de Arautos foram: 1968-1975, 1985-1990! Sua discografia é muito vasta. Anote aí: 25 anos da VP, Pai Nosso, Pensando em Ti, Arautos em Spirituals, Os Arautos do Rei (cassete abóbora), Filho Pródigo, Arautos Para Crianças, Arautos e Del Delker, Arautos Especial, Aqui Chegamos Pela Fé, a coleção Redescobrindo, Grupo VP 76, Sou Um Milagre, Habita em Mim, Quem os Criou, Felicidade Sem Fim e Arautos em Cingapura. Fora os discos solos e participações especiais em outros projetos!
Quando falava do pastor Rabelo, parecia um filho falando do próprio pai. Quando se referia à VP, tinha uma clara compreensão de que o trabalho feito ali era unicamente evangelismo. Sobre os Arautos, era lacônico, sem ser ofensivo: o grupo foi criado e existe para ganhar pessoas para Cristo!
Casado com a querida tia Íria, o casal teve 3 filhos: Elder (mora em Hortolândia), Íris (enfermeira) e Elaine, ambas moram em São Paulo, Capão Redondo.
Tive o privilégio de visitá-lo em julho desse ano. Reclamou dos tratamentos, chorou diante de sua realidade (era muito humano), mas quando falamos da vida espiritual, ele foi á estante, mostrou-nos uma obra biográfica do apóstolo Paulo e disse: “O que me tem dado forças é ver neste livro a personalidade e a fidelidade desse gigante de Deus. O que aprendi com ele me fez reavaliar tudo o que havia aprendido durante todos os dias de minha vida”.
Ele descansou, mas Esperando a Manhã Radiosa!
Sinto saudades do amigo com quem tantas vezes conversei. Mas sinto-me feliz por seu impacto em minha vida. Deus o guarde até o dia de cantarmos juntos o cântico do Cordeiro, sob o mar de vidro!
Pr. Marcelo Augusto de Carvalho
(Esse texto foi publicado no site www.4tons.com pelo pastor Marcelo)

domingo, 25 de julho de 2010

O uso de calça comprida para mulheres


O Uso da Calça Comprida para Mulheres

No final da década de 50 a mulher não usava calça comprida, nem botas e outros acessórios de vestuário feminino comuns hoje. Este costume foi mudado na década de 60, onde a calça comprida também passou a fazer parte do vestuário das mulheres.
Com essa mudança surgiu uma questão: seria correto a mulher usar calça comprida que até então era um costume somente dos homens?
O texto mais citado por aqueles que proíbem o uso de calça para as mulheres é Deut. 22:5: “A mulher não usará roupa de homem, nem o homem veste peculiar à mulher; porque qualquer que faz tais coisas é abominável ao Senhor, teu Deus.”
Este texto se refere, segundo seu contexto histórico, à roupas íntimas, pois na época o vestuário era praticamente o mesmo para ambos os sexos (geralmente a túnica). A idéia do texto é proibir o homossexualismo, e não proibir calça comprida para as mulheres ou qualquer tipo de vestuário específico. A verdade é que nesta época nem havia calça comprida como as de hoje, então, como dizer que esse verso as proíbe?
Deus não está preocupado com formas, mas com princípios. Não importa se um pedaço de pano é usado como saia ou calça, o que interessa é se é modesto, econômico, saudável e descente – esses são os princípios que a Bíblia e o Espírito de Profecia defendem.
A calça comprida não é proibida pela Palavra de Deus ou pelo Espírito de Profecia, mas segundo os princípios cristãos, não deve ser muito apertada a ponto de mostrar as formas do corpo e comprometer a saúde. Ela deve ser confortável e apropriada a cada sexo.
Em muitos casos, ela é indispensável, principalmente em esportes ou atividades físicas e sociais, mas deve se observar essas questões.
A verdade é que as calças femininas hoje não são, na sua maioria, apropriadas, pois são muito justas e sensuais. Porém há calças descentes, modestas e sociais, ou seja, em conformidade com os princípios da Bíblia e do Espírito de Profecia.
Hoje existem saias que são transparentes ou curtas demais. Mas nem por isso podemos generalizar e proibir o uso de saias. Assim também devemos ter sabedoria para distinguir uma calça apropriada e uma que não seja, e não proibi-la enfaticamente.
Até um tempo atrás poderíamos dizer que a calça comprida para mulheres era um vestuário de estilo não social, por isso seu uso era desaconselhado em atividades sociais. Hoje porém a calça já foi inserida nos trajes sociais finos e executivos. É comum ver uma mulher com calça social e blazer desempenhando atividades executivas e administrativas, onde o vestuário usado por homens na mesma função é o terno e gravata.
A Igreja Adventista faz uso, em vários níveis da organização, de calças compridas femininas (de acordo com os princípios que ela defende para qualquer vestuário) para usos específicos como colportagem e educação (alunos e professores).
Sobre a posição bíblica e do Espírito de Profecia acerca deste tema, temos um excelente artigo de Roberto Olsen, que pode de forma clara e objetiva, definir qual tem sido a posição da Igreja Adventista no tocante ao uso de calça para as mulheres (Roberto Olsen, Pode Uma Dama Cristã Usar Calça? Colégio da União do Pacífico. 6 de março de 1974).
Citaremos suas conclusões:
1 - Sobre o texto de Deut. 22:5: “O texto em questão simplesmente adverte que os homens não deveriam vestir igual às mulheres. O mesmo nada diz acerca de calças e dificilmente pode ser usado como uma ordem absoluta contra o uso de tais peças de vestimentas para ambos os sexos. Nos tempos bíblicos nem os homens nem as mulheres usavam alguma coisa que se pareça com as calças modernas”.
2 – Sobre os textos do Espírito de Profecia, depois de analisar as principais citações de Ellen White sobre o vestuário, a conclusão foi a seguinte: “Não, Ellen White não proibiu o uso de calças compridas por parte das mulheres. O que ela objetou foi ‘eliminar a distinção na vestimenta de homens e mulheres’ (I Testemunhos, 460)”.
“Dificilmente é justificável a conclusão que os escritos de Ellen White se opõem ao uso de calças por parte das mulheres. Não obstante, se Ellen White vivesse hoje, faria uma exceção em relação do uso por parte das mulheres de roupas justas de qualquer tipo, ainda que fossem calças, jaquetas ou saias. Igualmente, teria algo desfavorável que dizer acerca do uso de mini saias. Mas, de acordo com a opinião de muitos, não protestaria contra o uso de calças ou trajes modestos que possibilitam a quem os usem conservar uma aparência feminina distintiva”.
Como fiéis devemos buscar seguir a risca os princípios do vestuário cristão, mas não devemos legislar sobre formas das vestimentas que estão dentro desses princípios. Se uma calça não é modesta ou descente, deve ser excluída do vestuário, assim como uma saia ou vestido que não seguem os parâmetros cristãos.
Por outro lado, se ela é descente, modesta e feminina, não há porque proibi-la. Vivemos numa cultura onde não é considerada homossexual uma mulher que usa calça, por isso, a distinção entre os sexos não é comprometida por esse tipo de vestimenta.
Se uma mulher não quer usar calça, não é pecado, desde que sua saúde e decência não sejam comprometidas (ex. Uma mulher usar saia em condições de frio extremo, não protegendo suas pernas; uma operária feminina usar saia para trocar lâmpadas de postes).
Note esta declaração do Espírito de Profecia:
“Seja qual for o comprimento do vestido, devem as mulheres vestir seus membros tão cabalmente como os homens. Isso se pode fazer usando calças forradas, terminadas num cadarço preso aos tornozelos, ou calças amplas, estreitando para os pés; e estas devem ser bastante compridas para ir até aos sapatos.” (E.White, Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 461)
Procure cuidar bem do seu vestuário, e não do vestuário do próximo. A salvação é individual e ninguém deve achar na condição de modelo ou juiz nesta questão.


por: PR. YURI RAVEM, Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Pelotas - RS. Casado com Andressa, mestre em educação.Editor Associado do Blog Nisto Cremos e Editor do Blog Igreja Adventista de Pelotas.